paulo roberto's profileEstrada das Tamancas - P...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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02 May PrisãoNão lhe consentiam a leitura e a escrita. Mesmo assim, compôs e arquivou na memória um conjunto noventa e nove poemas. Dez a vinte versos cada. Interessa-me o momento em que aceitou “escrever” o primeiro. Por algum tempo, é lícito supor, enxotou as sugestões da inspiração. A falta de tinta e papel, o ressentimento. À certa altura, resignou-se a limar as palavras. Depois, constatou casualmente que retomava o trabalho da véspera. A repetição dos dias mostrou que a memória se comprazia em guardar. Num dado momento, lá estava o poema, nítido, preciso, limpo. Como uma fotografia, foi trabalhosamente tratado. Fixou-se em garamond, in-octavo, papel jornal. Atribuo a insônias intermináveis a concepção da obra, o método, a lenta execução. A tortura da privação transmudada em lenitivo. A composição de um livro puramente mental acabou por lhe parecer a única forma de suportar. Com os aperfeiçoamentos inevitáveis da repetição, o trabalho foi emendando os dias. Num dado momento, o ritmo tornou-se febril. Tinha um plano rígido, trinta e três conjuntos, três subtítulos. Controlou o pensamento e retificou o fluxo da produção, para ajustar-se ao lento escoar do tempo. Na metade do primeiro capítulo, dedicou-se ao índice. Não era possível folhear os versos sem o auxílio de um mapa. O índice demandava títulos, ou um sistema de numeração. Demorada experimentação levou a abandonar ambos. Contentou-se em identificar os poemas pelo primeiro verso (facilidades: verso geralmente curto e poema contido em uma única página). Um imprevisto me obriga a interromper esse relato, que hei de retomar. Pelo que sei, terminou o trabalho; não entendo porque tentou resistir quando o libertaram. Comments (1)
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